BRISA NO RIO

11 - 14 Dezembro 2025

A matéria, quando deslocada de seu uso original, encontra novas maneiras de existir.

É nesse território de transformação que o diálogo entre Daniel Mattar e Kim Courbet se aproxima. A afinidade entre os dois artistas tornou-se clara ao longo de um ano de conversas semanais, nas quais processos, dúvidas e descobertas foram sendo partilhados, até revelar um campo comum de investigação.

 

No trabalho de Kim Courbet, fragmentos de arquitetura prestes a desaparecer ganham nova vida. Tábuas, encaixes e estruturas carregadas de memória retornam ao espaço como móveis autorais. Não se trata de restaurar o que já foi, mas de reinventar possibilidades. Suas peças equilibram permanência e renovação, afirmando uma relação cuidadosa com a matéria e suas temporalidades.

 

Daniel Mattar parte do microscópico para criar presenças de grande escala. Pigmentos, gotas de tinta, relevos e pequenas formações são trabalhados com precisão antes de serem ampliados pela macrofotografia. Essa expansão revela superfícies que vibram entre pintura, escultura e imagem. O fotográfico, aqui, não documenta: fabrica territórios sensíveis, convidando o olhar a se aproximar.

 

A construção do projeto conta com a participação de Bebel Moraes, diretora da Brisa Galeria, que acompanha de perto o desenvolvimento conceitual dos artistas e a articulação entre obras e espaço. Sua presença costura as pesquisas e orienta o modo como se encontram no ambiente expositivo.

 

Fundada em Lisboa, a Brisa chega ao Rio de Janeiro, cidade de origem de seus fundadores, reafirmando seu compromisso com o intercâmbio de práticas e contextos.

 

Nesta pop-up, a galeria assume uma dupla função. Além da exposição, durante quatro dias, Daniel Mattar e Bebel Moraes desenvolvem um novo capítulo do Black Canvas Project, pesquisa que partilham há mais de uma década — um estúdio itinerante que celebra os encontros reais. Com equipamento analógico, a fotografia torna-se convivência. Cada imagem é resultado desse tempo compartilhado.

 

Assim, a presença da Brisa Galeria no Rio não se limita a reunir obras: propõe um espaço de convivência artística, onde encontros, trocas e colaborações se constroem na experiência e na presença.