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Exhibition  P I G M E N T O , artist Daniel Mattar, May 2018



PT



PIGMENTO, de Daniel Mattar, é uma série que se encontra em algum ponto entre a
precisão da câmera e a experiência do gesto, entre a limpidez da impressão e a sujidade
da tinta, entre a misteriosa alquimia das cores e sua versão contemporânea e global. O resultado nos desafia, pois, essas leituras, quase antagônicas, se sobrepõem, deixando
entrever ideias descartadas e escolhas - como um pentimento.

Em 2016 o artista decidiu sair da zona de conforto proporcionada por seu amplo domínio
técnico da fotografia e iniciou um estudo com cores e gestos, tintas e pincéis. Fez uma imersão na pintura abstrata transformando seu estúdio num atelier, e realizando grandes pinturas a óleo. O processo foi longo, gratificante, enriquecedor, mas o resultado das telas
não o convenceu.

Revisitando os resíduos dessa catarse / estudo / pesquisa / encontro, Daniel Mattar percebeu que algo intrigante e potente se desprendia das bisnagas usadas e das manchas
de tinta; remanescentes de gestos. E voltou a esses vestígios com seu olhar dilatado pela lente macro e aguçado por lentes de hiper definição.

Assim surgiu a série PIGMENTO - Narrativas das superfícies.
Nesse processo pulsaram para a percepção do artista diversas camadas de imagens: as misturas de cores aderidas aos tubos; os desgastes, texturas e volumes criando uma
topografia “planetária” nas superfícies das bisnagas amassadas. E também a herança alquímica e poética dos nomes dos pigmentos: Noir D’Ivoire , Bleu Lumière, Titanium
White, replicados obsessivamente para atender as demandas da globalização: Ombre Naturelle, Raw Umber, Ombra Naturale, Sombra Natural, Umbra Nature... algumas vezes até acrescidos de outras informações: Blue di Cobalto – Imitazione, a explicitar que o cobalto não está mais lá. Todos compulsivamente carimbados com as impressões digitais da produção industrial, os códigos de barra.

As imagens finais, impressas em grande formato, subvertem a escala original dos objetos criando uma realidade aumentada e expressiva. Realizadas em C-print elas são montadas num material de intenso brilho. São superfícies preciosas para superfícies degradadas –
mas desgastadas pelo gesto artístico, ao qual nunca falta poesia.

Denise Mattar

curadora



EN



PIGMENT, by Daniel Mattar, is a series that finds itself at some point between the precision
of a camera and experience of a gesture; between the cleanness of printing and dirtiness
of ink; between the mysterious alchemy of colors and its contemporary and global version.

The result challenges us as these almost antagonistic readings overlap, allowing a glimpse
of discarded ideas and choices - like a pentimento.
In 2016, the artist decided to leave the comfort zone offered by his profuse technical
command of photography and initiated a study with colors and gestures, paints and
brushes. He became immersed in abstract painting, transforming his studio into an atelier
and producing large oil paintings. The process was lengthy and gratifying, enriching. The
result, however, did not convince him.

Revisiting the residues of this catharsis /study/research /encounter, Daniel Mattar realized
that something intriguing and powerful was being released by the used paint tubes and
stains; the remains of gestures. He then returned to these vestiges with his eye dilated by
the macro lens and sharpened by hyper-zoom lenses. Thus was born the series,
PIGMENT- Narratives of surfaces.

During this process different layers of images were impelled by the artist´s perception: the
mix of colors stuck on the tubes and the damage, textures and volumes that created a
“planetary” topography on the surfaces of the crushed tubes. Also the alchemic and poetic
legacy of the pigment names: Noir D’Ivoire , Bleu Lumière, Titanium White, replicated
obsessively to attend the demands of globalization: Ombre Naturelle, Raw Umber, Ombra
Naturale, Sombra Natural, Umbra Nature... sometimes even adding other information: Blue
di Cobalto – Imitazione, to make it explicit that the cobalt is no longer there . All these
compulsively stamped with the digital impressions of industrial production, the bar codes.

The final image, printed in large format, subverts the original scale of the objects, creating
an expressive and augmented reality. Produced on C-print, they are mounted on intensely
shiny material. They are precious surfaces for deteriorated surfaces – though worn by the
artistic gesture, which never lacks poetry.

Denise Mattar

Curator